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Domingo da Septuagésima

  • 1 de fev.
  • 5 min de leitura

Nesse domingo em que a Liturgia na Forma Extraordinária do Rito Romano encerra o Ciclo do Natal, somos apresentados a uma nova etapa do Tempo Litúrgico que precede a Quaresma, iniciando-se com a Septuagésima. Este tempo é um período de transição entre o Tempo do Natal e o período depois da Epifania para o período de preparação intensa para a Páscoa do Senhor.


Assim, a Septuagésima é a primeira parte da preparação para a Páscoa e abrange as três semanas anteriores à Quaresma. Embora não fossem exatamente 70, 60 e 50 dias antes da festa da Ressurreição, em imitação, talvez, ao domingo seguinte, Quadragésima, foram esses domingos denominados: Septuagésima, Sexagésima e Quinquagésima.


A mobilidade da festa da Páscoa faz também variar a data da Setuagésima, que, todavia, ordinariamente se aproxima do dia 2 de fevereiro. O Domingo da Septuagésima e os dois seguintes são, pois, uma preparação para a Quaresma, tempo de penitência propriamente dito.


Apesar de não existir mais na forma Ordinária, conheça algumas características:


A grande teologia deste tempo se manifesta em três pontos principais tratados ao longo dos domingos: a criação, elevação e queda do homem.


Entendendo esta cronologia, entendemos melhor que na Quaresma somos convidados a refletir sobre a miséria do homem caído que é purificado e elevado à condição de Filho de Deus por Cristo em sua Paixão e Ressurreição.


Este Tempo não é propriamente um Tempo de austeridade, penitência e jejum como a Quaresma. Na verdade, é um tempo em que estas práticas começam a ser, aos poucos, inseridas na vida dos fiéis, ao longo dos domingos, para que eles possam chegar ao início da Quaresma envolvidos com a espiritualidade própria deste período e melhor recebam seus frutos.


Cor Litúrgica: Sua cor litúrgica é o Roxo. Ao longo dos domingos,


Ornamentos do Altar: alguns elementos começam a ser retirados: flores vão ganhando menos espaço;


Canto Litúrgico: no canto passa a ter menos brilho e variedade de instrumentos (solo). O Glória e o Aleluia deixam de ser rezados e, consequentemente o coro deve corresponder - não cantar o Alleluia antes do Evangelho.


Disciplina do Jejum: O jejum e a abstinência de carne começam a ser inseridos, Já vivido mas não de forma obrigatória como na Quaresma.[2]



Origem Histórica


Foi S. Gregório Magno que instituiu ou ao menos deu forma definitiva a este ciclo de três semanas (Septuagésima, Sexagésima e Quinquagésima), que preparam as almas dos fiéis para as santas observâncias da Quaresma. É verosímil que as missas dos três Domingos datam do período de S. Gregório, visto que refletem perfeitamente o terror e a tristeza que tinham invadido os ânimos dos romanos, naqueles tempos em que parecia que a peste, a fome, a guerra e os terremotos, queriam arrasar a antiga rainha do mundo.


Segundo o Sacramentário Gelasiano, o Tempo iniciado com a Septuagésima empregou sua marcação definitiva - três domingos antes do início da Quaresma - antes do final do século 6º, ou seja, mesmo antes do pontificado de São Gregório Magno (590-604 d.C.), e muito antes também da instituição (no século XI) das cerimônias da Quarta-Feira de Cinzas.



Catequese


Significado Espiritual na Liturgia


Assim como os 40 dias da Quaresma aludem aos 40 anos do êxodo hebreu em fuga do Egito e aos 40 dias de jejum de Jesus no deserto, os aproximadamente 70 dias antes da Páscoa se relacionam simbolicamente com os 70 anos do castigo do exílio hebreu na Babilônia, sendo esta analogia do cativeiro uma das motivações para o caráter penitencial da Septuagésima.


A Liturgia Tridentina de cada domingo do Tempo da Septuagésima, tanto nas orações e leituras da Missa como nos Ofícios Divinos, aponta, de um modo geral, para a queda dos nossos primeiros pais e suas consequências desastrosas (Domingo da Septuagésima), a malícia dos homens e o devido castigo divino (Domingo da Sexagésima), e os sacrifícios de Abraão e de Melquisedec que prefiguraram a imolação de Cristo para redimir toda a humanidade (Domingo da Quinquagésima).


Num plano mais específico, as Leituras de cada Domingo do Tempo da Septuagésima apontam o caminho de penitência a ser trilhado pelo fiel que quiser se dispôr a superar a decadência humana. Conforme Pe. Gaspar Lefebvre OSB, em sua obra "Missal Romano Quotidiano e Vesperal",


"O Evangelho dos obreiros da vinha [Septuagésima] e a do semeador [Sexagésima] lembra-nos que a Redenção se estende a todos os homens Judeus e Gentios, e a cura do cego de Jericó [Quinquagésima] que segue o anúncio da Paixão mostra-nos os efeitos benfazejos por ela produzidas em nós. As Epístolas de S. Paulo vêm, por sua vez, durante estes três Domingos, lembrar-nos que a Igreja deve, nesta época, concluir a obra do Salvador, entrando corajosamente na ascese purificadora da penitência." [a saber: perseverar até o fim tal como os competidores de uma corrida (Septuagésima), suportar as piores tribulações por amor a Deus (Sexagésima) e nunca faltar com a caridade (Quinquagésima), nota minha]


A Missa e o Tempo da Septuagésima


A Septuagésima, enquanto tempo penitencial, guarda semelhanças com a Quaresma. No entanto, também possui algumas diferenças em relação a esta. Tais características soam oportunas a nós católicos que, recém saídos das alegrias natalinas, contamos assim com uma gradual transição para um período de profunda penitência que são os 40 dias anteriores à Páscoa:


- Em vez da cor verde do Tempo per annum (Após a Epifania), o padre adota a cor roxa nos paramentos, indicando o caráter penitencial da Septuagésima;


- No mesmo sentido, não se reza/canta o Gloria nas Missas da Septuagésima;


- Também neste tempo litúrgico suprime-se o Aleluia em todas as Missas: nas Missas dominicais ele é trocado pelo Trato, que é uma espécie de responsório de 3 ou mais estrofes, já nas Missas de féria (de segunda a sábado) ele é simplesmente omitido sem qualquer oração que o substitua (do Gradual, passa-se imediatamente à leitura do Evangelho).


- Como o caráter penitencial do tempo não segue ainda os rigores quaresmais, para acompanhar o canto litúrgico pode-se usar o órgão, antes de sua supressão na Quarta-Feira de Cinzas.



Conclusão


Não só como uma transição das alegrias natalinas para os rigores quaresmais, mas sobretudo em tempos de acentuada decadência moral, o Tempo da Septuagésima se mostra uma excelente oportunidade de os católicos apegados à Missa Tridentina fugirem do pecado e suas ocasiões. Serve-nos também como propícia fuga dos perigos carnavelescos, que no tempo coincidem com o que convém ser, para nós católicos, uma "pré-Quaresma".



Bibliografia


1. Missal Romano Cotidiano (Latim - Português). São Paulo: Paulinas, 1959. 1272 p.

2. LEFEBVRE, Pe. Gaspar OSB. Missal Romano Quotidiano e Vesperal (Latim - Português). Bruges/Bélgica: Desclée de Brouwer & Cie., 1962.

3. ROWER, Basílio. Dicionário litúrgico. Rio de Janeiro: Vozes, 1947. 236 p. p. 212.

MARCADORES: Catequese para a Missa, Tempo da Septuagésima

Comunidade Porta Fidei - "Septuagésima - Tempo de Preparação para a Quaresma"


 
 
 

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