I Domingo da Quaresma
- 20 de fev.
- 5 min de leitura
I classe, paramentos roxos
Estação em São João do Latrão


Missa tem a simplicidade de um monumento clássico. No Intróito, Cristo acolhe-nos como seus companheiros de combate e dirige-nos estas palavras de consolação: Depois do combate da Quaresma virá a “glória” do Batismo e a “satisfação da vida eterna”. A oração diz-nos que Deus, ao jejuar durante quarenta dias, “purifica” a sua Igreja.
É, portanto, a grande purificação do templo de Deus. Ao mesmo tempo, ela cita dois meios de purificação: a abstinência e a prática de boas obras. A Epístola é o convite solene da Igreja, bem como o seu programa para o tempo que se inicia. Hoje, a Igreja acolhe os candidatos ao batismo sob sua tutela. Embora todo o inferno esteja desencadeado contra eles, eles estão protegidos; o exército celestial os acompanha. No Tracto cantamos quase todo o Salmo 9 como introdução ao Evangelho. Nas duas procissões eucarísticas (o Ofertório e a Comunhão), entramos no combate heroico de Cristo, protegido pelas asas e pelo escudo de Deus, ou seja, a Eucaristia. [1]
O Introito (Antífona na Forma Ordinária) do 1º Domingo da Quaresma no Missal Romano estabelece o tom teológico para o início do nosso caminho espiritual, exortando sobre a relação entre a confiança entre Deus e seus filhos, em meio às provações. O texto litúrgico extraído do Salmo 91/90) inicia-se com essas palavras: "Quando me invocar, eu o atenderei; libertá-lo-ei e glorificá-lo-ei; enchê-lo-ei de longos dias." [2]
Introito (Sl, 90,91)
INVOCÁBIT me, et ego exáudiam eum; erípiam eum, et glorificábo eum; longitúdine diérum adimplébo eum. PS. Qui hábitat in adjutório Altíssimi in protectióne Dei cæli commorábitur. Glória Patri, et Fílio, et Spirítui Sancto. Sicut erat in princípio, et nunc, et semper, et in sǽcula sæculórum. Amen. INVOCÁBIT me, et ego exáudiam eum; erípiam eum, et glorificábo eum; longitúdine diérum adimplébo eum. | ELE me invocará, e eu o atendo; livrá-lo-ei e glorificá-lo-ei e vida longa lhe darei. SL. Aquele que habita sob a proteção do Altíssimo, descansará à sombra do Deus do céu. Glória ao Pai, e ao Filho, e ao Espírito Santo. Assim como era no princípio, agora e sempre, e por todos os séculos dos séculos. Amém. ELE me invocará, e eu o atendo; livrá-lo-ei e glorificá-lo-ei e vida longa lhe darei. |
1. Deus atende no Deserto (Acolhida)
O Introito não começa com um pedido de desculpas, mas com uma promessa de proteção. A Quaresma, simbolizada pelos 40 dias de Jesus no deserto (Evangelho), não é um tempo de castigo, mas de "reabastecimento espiritual" e encontro. O verso "Quando me invocar, eu o atenderei" garante que, ao nos despojarmos das distrações e pecado, Deus se faz presente.
2. Confiança na Providência ("Libertá-lo-ei")
O Salmo 91 é um salmo de confiança. Ele nos lembra que, ao entrarmos no "deserto" da vida (fome, tentações, solidão), não estamos sozinhos. Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto para provar que a força divina sustenta a fragilidade humana.
3. A Glória vem da Conversão ("Glorificá-lo-ei")
A "glória" que Deus promete não é mundana, mas a dignidade de quem vence as tentações e se converte. O Introit nos chama a mudar de vida, reconhecendo nossas fragilidades e confiando na graça que nos sustenta, imitando Jesus que, tentado, resistiu com a Palavra de Deus.
4. "Longos Dias" (Vida Eterna)
A promessa de "longos dias" prefigura a ressurreição. A jornada de 40 dias tem um destino final: a Páscoa. O Salmo 91 nos convida a olhar para além do deserto, focando na alegria da vitória sobre o pecado e a morte.
Em resumo: nesse 1º Domingo da Quaresma somos convidados a entrar neste tempo favorável com confiança, sabendo que Deus é nosso refúgio e fortaleza, e que a conversão sincera nos leva à verdadeira vida. [3]
Catequese
«Foi Jesus levado pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo demônio».
Assim começa o Evangelho do I Domingo da Quaresma. Nosso Senhor quis Se permitir ser “tentado” pelo Diabo. A tentação teve por tática uma gradação ascendente de vilania e baixeza.
A primeira delas foi a tentação dos prazeres, à qual Nosso Senhor combate com a mortificação e a temperança: «Nem só de pão vive o homem». Assim Ele nos mostra como vencer a concupiscência da carne (gula, luxúria e preguiça).
A segunda foi a tentação à vanglória, aos elogios e ao reconhecimento, mesmo que seja às custas de Deus. A ela Nosso Senhor combate com a justiça e a humildade: «Não tentarás ao Senhor, teu Deus». Assim Ele nos mostra como vencer a soberba da vida (orgulho, inveja e ira).
A terceira – e última – foi a tentação mais vil; a ela o Diabo não inicia com “Se és filho de Deus”, pois aqui propõe que ele seja adorado no lugar de Deus. A esta Nosso Senhor combate com a religião e a liberalidade: «Adorarás ao Senhor, teu Deus, e só a Ele servirás». Assim Ele nos mostra como vencer a concupiscência dos olhos (avareza).
Aprendamos, pois, com o Divino Mestre que, todas as tentações se rebatem com as palavras da Sagrada Escritura. Aprendamos, também, com o próprio Diabo que usa a Sagrada Escritura para tentar ao Verbo Encarnado. Assim, o Evangelho tem por lição final mostrar-nos que até a Palavra de Deus pode servir de queda, sem a correta interpretação, que só pode ser dada pela Igreja Católica, única instituída por Cristo, qual Esposa irrepreensível. [4]
Bento XVI disse em uma de suas homilias que “o núcleo das tentações que Jesus sofreu é a proposta de manipular a Deus, de usá-Lo para os próprios interesses, para a própria glória e para o próprio sucesso. De colocar a si mesmo no lugar de Deus, retirando-O da própria existência e fazendo-O parecer supérfluo. Cada um deveria perguntar-se: qual é o lugar de Deus na minha vida? É Ele é o Senhor ou sou eu?”
Dar a Deus o primeiro lugar, é um caminho que temos de percorrer sempre de novo. Diz Bento XVI: “Converter-se significa seguir Jesus de modo que o seu Evangelho seja guia concreto da vida; significa deixar que Deus nos transforme, parar de pensar que somos os únicos construtores da nossa existência; é reconhecer que somos criaturas, que dependemos de Deus, do seu amor, e apenas “perdendo” a nossa vida Nele podemos ganhá-la… Mesmo quem nasceu em uma família cristã, a cada dia, renovar a escolha de ser cristão, ou seja, dar a Deus o primeiro lugar, diante das tentações que uma cultura secularizada.” [5]
Referências;
[1] Comentários do Missal Romano - Dom Gaspar Lefebvre (1962)
[2], [3], Catequese 1o.Dom Quaresma - @PeJoseCarlosPereira (Youtube)
[4] Site "pela fé católica": https://pelafecatolica.com/2016/02/14/tentacao-jesus/
[5] saber católico oficial com comentários do prof. Felipe Aquino




























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