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Semana Santa - II Domingo da Paixão ou de Ramos

  • há 2 dias
  • 8 min de leitura

Na tradição cristã a Semana Santa é a “Grande Semana”. Os cristãos revivem o mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Esta é uma ocasião única para contemplar, refletir e rezar o mistério de amor de Deus em favor da humanidade. Mistério de amor que tem em seu centro a cruz e o Crucificado.


Preparando-os para viver com fé esta Semana Santa, leiamos estas reflexões deixadas por São João Batista Scalabrini em suas pregações:


“Jesus crucificado é o centro do universo. É a aliança preciosa que une a obra do Onipotente ao Criador Divino. É a meta de todas as produções e de todos os desígnios da Providência. É a razão suprema, última de todos os alvos de Deus sobre a humanidade redimida, que longe d’Ele, tomasse em si mesma, imagem de um cego, que vacila e cai sob os raios do mais esplêndido sol; é a norma de todo verdadeiro progresso social, sendo Ele a verdadeira luz que ilumina todo homem, e a sociedade toda”.


“Cristo vence, Cristo reina, Cristo triunfa. Temos também hoje, uma prova, em meio aos cataclismas da história, em meio aos frangalhos dos centros e das coroas, entre o nascer e a morte das instituições humanas, entre o surgir e o desaparecer de todas as heresias, entre o bramir dos mares bravios, no enfurecer do turbilhão, está a cruz. A cruz, farol de luz inextinguível, árvore da nossa salvação, troféu glorioso purpurado com seu divino sangue: “A cruz fica em pé enquanto a terra gira”. [1]


“A cruz nos grita Amor: A cruz grita: amor que se fez vítima de expiação por ti, que a tal ponto te amou até morrer por ti sobre um patíbulo; mas não compreende este grito quem não repete com o Apóstolo: “o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo.” A cruz é a escola mais segura do Amor. Cuidado, pois, se no correr dos dias, esqueceis o mistério da cruz, mostrareis que vosso coração não arde de amor, que transcurais o grande preceito que nos obriga a colocar, em Jesus Cristo, todos os nossos afetos e a estabelecer em vosso coração o seu reino, que é o reino do amor. Amai Jesus, então compreendereis que o povo cristão, o povo dos crentes, compõe-se unicamente daqueles que honram, que amam a Cruz, ou morrem nela”.[2]


‌ “Jesus é o grande modelo da vida cristã; modelo, ó meus queridos, tão essencial que, como atesta São Paulo, na semelhança com Ele consiste o segredo da nossa predestinação. Que vida teve Ele para subir ao céu? De riqueza, de glória, prazer, ou de pobreza, humilhação e dor? Toda a sua vida, escreve Crisóstomo, não foi senão cruz e martírio! Desde o primeiro até o último instante, quanta miséria, quantos aborrecimentos, quantas fadigas, quantas perseguições, quantas calúnias, quanto sofrimento, quantas dores! E como, depois disto, não reconhecer na penitência, o verdadeiro bem, o caminho breve, seguro, único de nossa salvação?” [3]





Livreto da Semana Santa

Forma Extraordinária do Rito Romano (Rito Tridentino)

Baixe Gratuitamente




II Domingo da Paixão ou de Ramos




I classe, paramentos vermelhos (Ramos) e roxos (Missa)


Começamos a Semana Santa, durante a qual a Igreja celebra os santos Mistérios de nossa Redenção. E ela a preparação última para a Ressurreição de nosso Divino Salvador. Correspondendo à sua alta significação, distingue-se esta Semana por comoventes cerimônias e atos litúrgicos. Cada dia é privilegiado, de sorte que nenhuma festa pode ser celebrada durante esta semana. As Orações, os Cânticos, as Leituras nos Ofícios e nas Santas Missas relembram os grandes Mistérios de nossa Redenção.


No Domingo, chamado de Ramos, comemoramos a solene entrada de Jesus em Jerusalém e sua aclamação pelo povo dos judeus. Na Quarta-feira, o grande sinédrio resolve condenar Jesus à morte e judas vende por isso o seu Mestre por trinta dinheiros. Na Quinta-feira, assistimos à última Ceia, ao Lava-pés, à instituição do Sacrifício e do Sacramento da Eucaristia. E acompanhamos a Jesus em oração ao Horto das Oliveiras, vendo a sua prisão e a fuga dos discípulos. Sexta-feira Santa é o dia da condenação do Salvador, de sua Crucifixão e Morte na Cruz. Sábado Santo é o descanso do Senhor na sepultura e o raiar do dia da Ressurreição.


Como vemos, a Igreja se aprofunda mais e mais nos insondáveis Mistérios da Paixão do Salvador, até que a nossa tristeza atinge o mais alto grau nos últimos três dias. Os sinos se calam, os altares são despojados das toalhas. A história da Paixão nos é narrada pelos quatro Evangelistas. O Apóstolo S. Paulo nos exorta para toda a Semana, a participarmos dos sentimentos de Nosso Senhor e de sua Igreja, dizendo na Epístola de Domingo de Ramos : “Hoc enim sentite in vobis quod et in Christo jesu”. Tende em vós os mesmos sentimentos que teve Jesus Cristo. Cuidemos que esta semana seja para nós verdadeiramente santa, esforçando-nos por uma vida mais perfeita para que possamos participar dos frutos de nossa Redenção.


Evitemos as distrações supérfluas, para que o nosso espírito possa estar junto a Jesus. Enquanto for possível, assistamos às cerimônias e atos litúrgicos destes dias. Como os catecúmenos, preparemo-nos para renovar e avivar em nós a graça batismal. Como os penitentes públicos dos antigos tempos, tenhamos bem vivos os sentimentos de dor e arrependimento por nossos pecados, e com toda a santa Igreja, tenhamos firme esperança na vitória final, na Ressurreição com Jesus Cristo para uma vida melhor.


É o domingo que precede à festa da Páscoa e dá início à Semana Santa. Domingo de Ramos, Páscoa florida, Domingo das Palmas, assim chamado porque antes da Missa principal se realiza a bênção dos Ramos com procissão. Desta bênção e desta procissão, já encontramos vestígios claros no século V. Se deveras queremos compreender a liturgia deste domingo, cumpre colocarmo-nos bem no meio do cenário onde se vai desenrolar o doloroso drama, e, para que possamos atingir esse objetivo, útil será recordarmos os acontecimentos dos últimos dias da vida do Divino Salvador aqui na terra. Jesus à frente de uma romaria vai de Jericó a Betânia, onde se hospeda com seus amigos Lázaro, Maria e Marta, que, para O homenagearem, dão um banquete. É nessa ocasião que Maria unge com aromas a cabeça de Jesus. Indignado com esse desperdício, Judas rompe com seu Mestre.






Muita gente vem a Betânia para ver a Jesus e a Lázaro ressuscitado. Com estas multidões parte Jesus no dia seguinte em direção a Jerusalém, passando pelo monte das Oliveiras. Festiva é sua entrada, como narra o Evangelho. O povo aclama o Messias. Honras dignas de um Rei são-Lhe tributadas, enquanto os fariseus cada vez mais enraivecem. Contemplando a cidade, Jesus chora, lastimando-lhe a infidelidade e a sorte triste que a espera. Entra solenemente no templo, mas nessa mesma tarde regressa a Betânia. Esses são os principais fatos históricos em que se firma a liturgia deste domingo, que consta de duas partes bem distintas: 1º – A Bênção e procissão dos Ramos, alegre e triunfal, porque nela aclamamos o Cristo, Rei e Vencedor; 2º – A Santa Missa, profundamente triste, porque nela contemplamos o Homem das dores.



Bênção dos Ramos - Antífona I

PÚERI Hebræórum, portántes ramos olivárum,  obviavérunt Dómino, clamántes et dicéntes: “Hosánna in excélsis.”

OS FILHOS dos Hebreus, levando ramos de oliveira, foram ao encontro do Senhor, clamando: Hosana nas alturas.

Salmo (23,1-2.7-10)

DÓMINI est terra et quæ replent eam, * orbis terrárum et qui hábitant in eo.

DO SENHOR é a terra e tudo o que ela contém, a órbita terrestre e todos os que nela habitam,*

Nam ipse super mária fundávit eum, * et super flúmina firmávit eum.

Pois ele mesmo a assentou sobre as águas do mar e sobre as águas dos rios a consolidou.

Púeri Hebræórum, portántes ramos olivárum, obviavérunt Dómino, clamántes et dicéntes: “Hosánna in excélsis.”

Os filhos dos Hebreus, levando ramos de oliveira, foram ao encontro do Senhor, clamando: Hosana nas alturas.

Attóllite, portæ, cápita vestra, et attóllite vos, fores antíquæ, * ut ingrediátur rex glóriæ!

Levantai, ó portas, os vossos frontões! Levantai-vos, ó pórticos antigos, para que entre o rei da glória!

“Quis est iste rex glóriæ?” * “Dóminus fortis et potens, Dóminus potens in prælio.”

“Quem é este rei da glória?” É o Senhor forte e poderoso, o Senhor poderoso na batalha.

Púeri Hebræórum, portántes ramos olivárum, obviavérunt Dómino, clamántes et dicéntes: “Hosánna in excélsis.”

Os filhos dos Hebreus, levando ramos de oliveira, foram ao encontro do Senhor, clamando: Hosana nas alturas.

Attóllite, portæ, cápita vestra, et attóllite vos, fores antíquæ, * ut ingrediátur rex glóriæ!

Levantai, ó portas, os vossos dintéis! Levantai-vos, ó pórticos antigos, para que entre o rei da glória!

“Quis est iste rex glóriæ?” * “Dóminus exercítuum: ipse est rex glóriæ.”

“Quem é este rei da glória?” É o Senhor dos exércitos! É ele o rei da glória.*

Púeri Hebræórum, portántes ramos olivárum, obviavérunt Dómino, clamántes et dicéntes: “Hosánna in excélsis.”

Os filhos dos Hebreus, levando ramos de oliveira, foram ao encontro do Senhor, clamando: Hosana nas alturas.

Glória Patri, et Fílio, et Spirítui Sancto, Sicut erat in princípio, et nunc, et semper, et in sæcula sæculórum. Amen.

Glória ao Pai, e ao Filho, e ao Espírito Santo, Como era no princípio, agora e sempre, e por todos os séculos dos séculos. Amém.

PÚERI Hebræórum, portántes ramos olivárum, obviavérunt Dómino, clamántes et dicéntes: “Hosánna in excélsis.”

OS FILHOS dos Hebreus, levando ramos de oliveira, foram ao encontro do Senhor, clamando: Hosana nas alturas.

Antífona II

PÚERI Hebræórum vestiménta prosternébant in via, et clamábant dicéntes: “Hosánna fílio David; benedíctus qui venit in nómine Dómini.”

OS FILHOS dos Hebreus estendiam as suas vestes pelo caminho e clamavam: Hosana ao Filho de Davi! Bendito O que vem em Nome do Senhor!

Salmo (46)

OMNES pópuli, pláudite mánibus, * exsultáte Deo voce lætítiæ,

POVOS, aplaudi com as mãos, aclamai a Deus com vozes alegres,

Quóniam Dóminus excélsus, terríbilis, * rex magnus super omnem terram.

Porque o Senhor é o Altíssimo, o temível, o grande rei do universo.

Púeri Hebræórum vestiménta prosternébant in via, et clamábant dicéntes: “Hosánna fílio David; benedíctus qui venit in nómine Dómini.”

Os filhos dos Hebreus estendiam as suas vestes pelo caminho e clamavam: Hosana ao Filho de Davi! Bendito O que vem em Nome do Senhor!

Súbiicit pópulos nobis * et natiónes pédibus nostris.

Ele submeteu a nós as nações, colocou os povos sob nossos pés,

Eligit nobis hereditátem nostram, * glóriam Iacob, quem díligit.

Escolheu uma terra para nossa herança, a glória de Jacó, seu amado.

Púeri Hebræórum vestiménta prosternébant in via, et clamábant dicéntes: “Hosánna fílio David; benedíctus qui venit in nómine Dómini.”

Os filhos dos Hebreus estendiam as suas vestes pelo caminho e clamavam: Hosana ao Filho de Davi! Bendito O que vem em Nome do Senhor!

Ascéndit Deus cum exsultatióne, * Dóminus cum voce tubæ.

Subiu Deus por entre aclamações, o Senhor, ao som das trombetas.

Psállite Deo, psállite; * psállite regi nostro, psállite.

Cantai à glória de Deus, cantai; cantai à glória de nosso rei, cantai.

Púeri Hebræórum vestiménta prosternébant in via, et clamábant dicéntes: “Hosánna fílio David; benedíctus qui venit in nómine Dómini.”

Os filhos dos Hebreus estendiam as suas vestes pelo caminho e clamavam: Hosana ao Filho de Davi! Bendito O que vem em Nome do Senhor!

Quóniam rex omnis terræ est Deus, * psállite hymnum.

Porque Deus é o rei do universo, entoai-lhe, pois, um hino!

Deus regnat super natiónes, * Deus sedet super sólium sanctum suum.

Deus reina sobre as nações, Deus está em seu trono sagrado.

Púeri Hebræórum vestiménta prosternébant in via, et clamábant dicéntes: “Hosánna fílio David; benedíctus qui venit in nómine Dómini.”

Os filhos dos Hebreus estendiam as suas vestes pelo caminho e clamavam: Hosana ao Filho de Davi! Bendito O que vem em Nome do Senhor!

Príncipes populórum congregáti sunt * cum pópulo Dei Abraham.

Reuniram-se os príncipes dos povos ao povo do Deus de Abraão,

Nam Dei sunt próceres terræ: * excélsus est valde.

Pois a Deus pertencem os grandes da terra, a ele, o soberanamente grande.

Púeri Hebræórum vestiménta prosternébant in via, et clamábant dicéntes: “Hosánna fílio David; benedíctus qui venit in nómine Dómini.”

Os filhos dos Hebreus estendiam as suas vestes pelo caminho e clamavam: Hosana ao Filho de Davi! Bendito O que vem em Nome do Senhor!

Glória Patri, et Fílio, * et Spirítui Sancto,

Glória ao Pai, e ao Filho, e ao Espírito Santo,

Sicut erat in princípio, et nunc, et semper, * et in sæcula sæculórum. Amen.

Como era no princípio, agora e sempre, e por todos os séculos dos séculos. Amém.

Púeri Hebræórum vestiménta prosternébant in via, et clamábant dicéntes: “Hosánna fílio David; benedíctus qui venit in nómine Dómini.”

Os filhos dos Hebreus estendiam as suas vestes pelo caminho e clamavam: Hosana ao Filho de Davi! Bendito O que vem em Nome do Senhor!






Fontes:

Reflexões para Semana Santa (Missionários Scabrianos:

[1] Discurso pelo VIII Centenário da 1ª Cruzada, 1896 (AGS 3018/26).

[2]Discurso de 13-4-1865 (AOS 3017/3).

[2]A penitência cristã. Placência, 1895, p. 9.




 
 
 

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