Memórias do I Congresso de Música Sacra - Campinas - SP
Sete anos após sua primeira visita ao país, sacerdote, compositor e maestro italiano participa do 1º
Congresso Internacional de Coros Litúrgicos, em Campinas; programação reúne formação, quatro conferências, novo projeto fonográfico em língua portuguesa e grande concerto sob sua regência
São Paulo, agosto de 2026 — O maestro italiano Mons. Marco Frisina está de volta ao Brasil.
Passados sete anos desde sua primeira visita ao país, o sacerdote, que também é compositor, retorna para participar do 1º Congresso Internacional de Coros Litúrgicos, realizado de 28 a 30 de agosto de 2026, em Campinas (SP). A programação marca também uma nova etapa de sua relação musical com o Brasil, com o lançamento do Album “Cristo, Nossa Esperança”, segundo álbum dedicado às suas composições em língua portuguesa. O Congresso reuniu cantores, regentes, músicos e agentes de pastoral litúrgica. Ao longo de três dias, o encontro integrou formação, prática coral, celebrações e atividades ddedicadas à música sacra e litúrgica.
Um dos momentos centrais foi o Grande Concerto de Música Sacra, sábado, 29 de agosto, 20h, na Igreja Nossa Senhora Auxiliadora, no Liceu Salesiano de Campinas. Sob a regência do próprio Marco Frisina, o concerto reuniu a Orquestra Sinfônica de Indaiatuba, cantores solistas, o or- ganista Felipe Bernardo, um coro residente de aproximadamente 100 vozes e os congressistas, que formando um grande coro de cerca de 1.000 vozes. O coro residente teve formação pelos coros Arquidiocese de Campinas, Coro Dom Bruno Gamberini, Schola Cantorum Nossa Senhora Auxiliadora e Coral Del Chiaro.
O Novo álbum amplia presença da obra de Frisina em língua portuguesa e, Já está nas plataformas digitais iniciando com a composição “Cristo, Nossa Esperança”, obra do novo projeto do Coro da Arquidiocese de Campinas, dedicado às obras de Marco Frisina em português.
Com produção fonográfica da Paulinas-COMEP, o álbum reúne 14 composições, destinadas a diferentes tempos, ritos e circunstâncias da vida litúrgica da Igreja. Os créditos do projeto atribuem a Marco Frisina os textos, músicas e arranjos corais e orquestrais; a versão em português, a adaptação prosódica e a edição musical das obras são do maestro, musicólogo e gregorianista Dr. Clayton Dias, que também assina a direção musical e a regência do projeto
A produção musical é de Clayton Dias e Felipe Bernardo. O trabalho de adaptação foi desenvolvido com o objetivo de preservar a relação entre texto, melodia e ação litúrgica, conciliando fidelidade ao conteúdo dos textos, prosódia da língua portuguesa e cantabilidade, sem alterar a identidade musical das composições.
“Mais do que gravar um repertório, nosso objetivo foi construir uma ponte entre a tradição litúrgica da Igreja e a realidade das comunidades brasileiras, respeitando integralmente o pensamento musical e pastoral de Monsenhor Marco Frisina”,
afirma Clayton Dias, responsável pela direção artística e musical do projeto.
O novo álbum dá continuidade ao caminho iniciado em 2018, quando o Coro da Arquidiocese de Campinas lançou, em CD e nas plataformas digitais, “Eis-me Aqui, Senhor”, primeiro álbum integralmente em língua portuguesa dedicado às composições de Frisina. A relação do compositor com o Brasil se intensificou a partir daquele projeto. Em 2019, Frisina realizou sua primeira visita ao país, participando de atividades de formação e de concertos em São Paulo e Campinas.
A passagem de 2026 constitui sua segunda visita ao Brasil e aprofunda uma colaboração construída ao longo dos últimos anos. No texto de apresentação preparado para a nova edição brasileira, o próprio compositor destaca a dimensão litúrgica e pastoral do projeto e manifesta o desejo de que o repertório contribua para a vida musical das comunidades brasileiras: “Espero que, nas comunidades brasileiras, a música possa expressar cada vez melhor o amor de Deus e que possa crescer a qualidade da música, não pelo desejo de exibição, mas por amor ao Senhor e à Igreja”, escreve Mons. Marco Frisina.
O Concerto reúne 19 obras e repertório em diferentes idiomas O Grande Concerto de Música Sa- cra apresentará um programa de 19 obras, reunindo diferentes momentos da produção de Marco Frisina e composições relacionadas à trajetória de sua música no Brasil. Parte do repertório é interpretada em língua portuguesa, enquanto outras obras são apresentadas em seus idiomas originais, estabelecendo um diálogo entre o repertório internacional do compositor e as versões preparadas para as comunidades brasileiras.
Entre as obras previstas estão Cristo, nossa esperança, Alto e glorioso Dio, Cantico delle creature, Iubilate Deo, Pacem in terris, Ó Maria, nossa esperança, Jovem luz, Eis-me aqui, Seguir-te-ei, Embora noite, Salmo 150, Il canto del mare, Os céus proclamam, We Believe in Love e Jesus Christ, You Are My LifeAre My Life.
O repertório coloca lado a lado composições presentes nos dois projetos fonográficos realizados em língua portuguesa e obras do repertório internacional de Frisina. O programa reserva ainda um momento dedicado à música brasileira. Marco Frisina preparou um arranjo instrumental inédito de “Na Baixa do Sapateiro”, de Ary Barroso, composição que se tornou conhecida internacionalmente também pelo título Bahia.
Quatro conferências abordaram liturgia, tradição e música contemporânea A participação de Marco Frisina no Congresso não ficou restrita ao concerto. O compositor ministrou quatro conferências ao longo de sexta-feira e sábado. Na manhã de 28 de agosto, apresentou “A música como parte necessária e integrante da Liturgia”. N parte da tarde, abordou “O canto do povo de Deus na ação litúrgica e a grande tradição musical da Igreja: do canto gregoriano à polifonia”.
No sábado, 29 de agosto, a programação prosseguiu com “Tradição e contemporaneidade na música litúrgica” e “Compositores, músicos e ministérios: beleza, evangelização e futuro da música sacra”. As conferências foram intercaladas com ensaios corais, momentos de perguntas e depoimentos e celebrações litúrgicas. Os ensaios fiveram também a finalidade de preparar os congressistas para sua participação no grande coro do concerto.
Depoimento do Maestro CLayton Dias.
O 1º Congresso Internacional de Coros Litúrgicos nasceu da proposta de oferecer a corais, regentes, músicos e agentes de pastoral litúrgica um espaço de formação, intercâmbio e renovação, articulando técnica musical, conhecimento litúrgico, prática coral e espiritualidade. Para Clayton Dias, diretor geral, artístico e musical do Congresso, um dos objetivos é contribuir para a formação integral daqueles que exercem o serviço da música nas comunidades.
“Não se trata apenas de cantar melhor, mas de compreender melhor aquilo que celebramos e de colocar a música verdadeiramente a serviço da liturgia. Espero que esse encontro dei- xe um legado de formação, comunhão e incentivo para os corais brasileiros, fortalecendo o trabalho que já existe nas dioceses e comunidades”,
afirma. A escolha de Marco Frisina como principal convidado relaciona-se justamente à integração, em sua trajetória, das dimensões de sacerdote, compositor, maestro e formador. Sua produção procura conjugar tradição musical, qualidade artística e finalidade litúrgica, dialogando particularmente com o canto gregoriano e a polifonia sem deixar de se dirigir às comunidades contemporâneas.





























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