"Cristo Nossa Esperança": Quando a esperança ganha voz
O álbum do responsável pelo Coro da Diocese de Roma apresenta composições para diferentes celebrações. O maestro Clayton Dias foi o responsável pela edição musical e interpretação foi do Coro da Arquidiocese de Campinas
Quando a esperança ganha voz
Há músicas que ultrapassam o campo da arte e tornam-se oração. Há coros que não apenas executam partituras, mas fazem a Igreja cantar unida. É justamente essa experiência de Cristo, Nossa Esperança, novo álbum em português dedicado às composições litúrgicas de Monsenhor Marco Frisina, um dos maiores nomes da música sacra contemporânea.
As traduções, adaptações e edição musical são assinadas pelo maestro Clayton Dias, enquanto as interpretações ficaram a cargo do Coro da Arquidiocese de Campinas. O resultado é uma bela sonoridade que alia o rigor litúrgico, a beleza do canto e o profundo espírito de oração.
A versão original em italiano foi lançada pelas Irmãs Paulinas da Itália. Agora, este novo projeto amplia a presença da obra de Frisina junto às paróquias do Brasil com um conjunto de composições destinadas aos diversos tempos do ano litúrgico e solenidades.
Um repertório para acompanhar a Liturgia da Igreja
O álbum Cristo, Nossa Esperança nasce como um verdadeiro instrumento pastoral para coros, regentes e músicos. As 14 faixas contemplam diferentes partes da Missa e momentos da vida celebrativa da Igreja:
1. Cristo, nossa esperança (Entrada): canção que dá nome ao álbum e conduz ao louvor a Cristo, rocha e âncora firme da salvação que guia a humanidade.
2. Tu serás profeta (Entrada): um canto que envia os batizados, como povo escolhido, a serem precursores do Senhor, proclamando sua palavra de misericórdia e conversão. Uma música também apropriada em ritos de Ordenação.
3. Eis o meu servo (Ordenação): apresenta o eleito de Deus como um líder manso e justo, preparado para ser aliança e luz para todos os povos.
4. Os céus proclamam (Ofertório, Final): exalta a glória criadora de Deus manifestada no firmamento e o alcance universal de sua mensagem silenciosa.
5. Suba a vós esta oferta (Ofertório): oferece a Deus as dores dos pobres, o fruto do trabalho humano e a fé dos simples, suplicando sua bênção e salvação.
6. Eu vos dou um novo mandamento (Lava-pés - Comunhão): exorta a viver a caridade fraterna segundo o exemplo de amor sacrificial de Cristo pela ação do Espírito Santo.
7. Ó dom da graça (Comunhão): para venerar a Eucaristia, o Pão Vivo e o memorial da Páscoa que sustenta a Igreja e abre as portas do céu.
8. Embora noite (Comunhão - Pós-comunhão): a partir de um texto de São João da Cruz, expressa o anseio da alma pela fonte eterna de luz e vida, a qual contemplamos no Pão da Vida.
9. Grande é o mistério (Celebrações de matrimônio e pelas famílias): promove a família como imagem da Trindade e escola de amor, chamada a irradiar a beleza do Evangelho e das núpcias de Cristo com a Igreja.
10. Jovem luz (Hino a São Carlo Acutis): louva a Deus pelo testemunho de santidade, inocência e amor eucarístico do jovem Carlo Acutis.
11. Ó Sagrada Face de Cristo (Quaresma): contempla o sofrimento redentor de Cristo e sua misericórdia presentes na dor, nas lágrimas e no clamor dos oprimidos do mundo.
12. Vinde, Santo Espírito: invocação ao Espírito Santo como Consolador e Luz dos corações para purificar, curar e confirmar a fé.
13. Amparo do Senhor: um hino para honrar São José como modelo de homem justo, obediente e protetor das famílias e da unidade da Igreja.
14. Ó Maria, nossa esperança: invoca Maria como Mãe, medianeira das graças e Rainha da paz.
Monsenhor Marco Frisina: um dos grandes nomes da música litúrgica atual
Sacerdote da Diocese de Roma, biblista, compositor, maestro e responsável pelo Coro da Diocese de Roma, Monsenhor Marco Frisina tornou-se uma referência internacional da música litúrgica.
Desde 1984, dirige o coro responsável pelas principais celebrações presididas pelos papas, além de grandes encontros internacionais de corais no Vaticano.
Sua produção reúne centenas de composições litúrgicas traduzidas para diversos idiomas, além de trilhas sonoras para cinema e televisão. Sua escrita musical dialoga com a tradição do canto gregoriano e da polifonia, mas apresenta linguagem acessível às assembleias e aos coros contemporâneos.
Um dos grandes destaques de sua autoria é a célebre canção "Jesus Christ You Are My Life" ("Gesù Cristo tu sei la mia vita"), hino do Jubileu dos Jovens de 2000.
A relação com o Brasil fortaleceu-se em 2018, quando a Paulinas-COMEP lançou Eis-me Aqui, Senhor, primeiro álbum inteiramente em português dedicado à obra de Marco Frisina. Agora, Cristo, Nossa Esperança representa um novo capítulo dessa história de colaboração entre o compositor italiano e a Igreja no país.
Clayton Dias: traduzir música, traduzir oração
Traduzir uma obra litúrgica vai muito além de substituir palavras. Cada sílaba precisa respeitar a melodia, a entonação da língua portuguesa, o sentido teológico do texto e a função ritual para a qual aquela música foi composta.
Esse trabalho ficou sob responsabilidade do maestro, musicólogo e gregorianista Clayton Dias, uma das maiores referências brasileiras em música litúrgica.
Pesquisador, professor, diretor artístico do Coro da Arquidiocese de Campinas e especialista em Canto Gregoriano, Clayton já havia conduzido o projeto Eis-me Aqui, Senhor e agora retorna para adaptar todo este novo repertório, preservando a identidade musical criada por Marco Frisina e tornando-a plenamente cantável pelas comunidades brasileiras.
Um trabalho minucioso de tradução, harmonia melódica e fidelidade litúrgica
Traduzir esse repertório exigiu um trabalho muito além da simples passagem do italiano para o português. Segundo Clayton Dias, o maior desafio foi preservar a estreita relação entre texto, melodia e ação litúrgica, característica marcante de Monsenhor Marco Frisina.
"Foi necessário encontrar soluções que respeitassem o conteúdo teológico dos textos, a prosódia da língua portuguesa, a cantabilidade e, ao mesmo tempo, mantivessem intacto o desenho melódico concebido pelo compositor”, explicou ao destacar que as adaptações necessárias foram cuidadosamente ponderadas a fim de permanecer fiel ao estilo de Marco Frisina e à finalidade própria de cada canção.
Ainda segundo Clayton Dias, o objetivo foi oferecer uma versão a ser cantada com naturalidade pelas comunidades brasileiras, conservando a força expressiva das composições.
Clayton observa que o compositor italiano alcança um equilíbrio raro entre tradição e atualidade. "Monsenhor Marco Frisina consegue unir simplicidade pastoral, dignidade litúrgica e elevado refinamento musical. Não busca inovar pela ruptura, mas renovar a tradição a partir de suas próprias fontes", conclui.
A tradição coral: uma voz que atravessa dois mil anos
Muito antes de existirem concertos ou salas de espetáculo, a Igreja já cantava. Desde os primeiros séculos do cristianismo, o canto tornou-se uma das formas privilegiadas de anunciar a Palavra de Deus e participar da Liturgia. Ao longo da história, nasceram grandes tradições, como o canto gregoriano e a polifonia renascentista, que continuam inspirando compositores até hoje.
A Constituição Sacrosanctum Concilium recorda que a música sacra é parte integrante da própria Liturgia, não simples ornamentação das celebrações. Nesse horizonte, o trabalho coral possui uma missão muito própria: colocar sua técnica a serviço da oração da assembleia. É essa tradição viva que inspira o novo álbum com interpretação do Coro da Arquidiocese de Campinas. Conforme enfatiza Clayton Dias, a música litúrgica de qualidade ajuda a comunidade a rezar melhor, justamente porque nasce da própria tradição da Igreja e permanece a seu serviço.
Os músicos e profissionais deste grande projeto
Por trás da beleza sonora de Cristo, Nossa Esperança está uma ampla equipe que uniu experiência litúrgica, excelência musical e espírito eclesial. A produção musical ficou a cargo de Clayton Dias e Felipe Bernardo, enquanto a direção musical, regência, adaptação para o português, edição musical e revisão das partituras são assinadas também por Clayton Dias.
O instrumental original foi gravado pela Orchestra Supernova di Roma (Paoline Editoriale Audiovisivi), enquanto toda a parte coral foi interpretada pelo Coro da Arquidiocese de Campinas sob a regência de Clayton Dias. Um encontro de vozes de solistas, coralistas e músicos especializados em repertório litúrgico. A gravação das vozes, mixagem e masterização foram realizadas por Alexandre Soares, nos estúdios Paulinas-COMEP, com assistência de Vanderlei Pena.
Além do lançamento do álbum, a Paulinas disponibiliza também materiais para favorecer a execução dessas obras nas comunidades. O caderno oficial de partituras poderá ser adquirido na Paulinas Livraria ou na Livraria on-line. Facilitando o acesso de regentes, instrumentistas e cantores interessados em incorporar esse repertório às celebrações. Em um tempo que tantas vezes parece marcado pelo ruído e pela pressa, Cristo, Nossa Esperança recorda que a Liturgia continua sendo um lugar privilegiado onde a beleza conduz ao encontro com Deus.
O maestro Clayton Dias espera que este novo trabalho produza frutos semelhantes aos do álbum Eis-me Aqui, Senhor. Segundo ele, muitas paróquias testemunharam que passaram a redescobrir a riqueza do canto coral na Liturgia após aquele projeto. "Onde havia apenas grupos de cantores, surgiram ou se fortaleceram corais litúrgicos inspirados por esse repertório”, felicita, destacando que o álbum Cristo, Nossa Esperança alarga esse caminho ao oferecer 14 composições para diferentes celebrações do ano Litúrgico.
créditos: https://universo.paulinas.com.br
conteudo: Cristo nossa esperanca de Marco Frisina em português.





























Comentários