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1º Congresso Internacional de Coros Litúrgicos - Campinas - SP

13 de set.
5 min de leitura

Ocorreu am Campinas/SPO 1º Congresso Internacional de Coros Litúrgicos aconteceu entre os dias 28, 29 e 30 de agosto de 2026 - encontro histórico da música litúrgica no Brasil com mons. Frisina. Estiveram presentes vários representantes da nossa Administração Apostólica, dentre eles o mestre de capela Daniel Rangel, que teve uma participação especial no canto do Salmo 150 como contratenor. (01:48:23 - Salmo 150). Abaixo video da transmissão do Concerto "Coral Mil Vozes" e matéria, na íntegra, veiculada no Varican News.




41:38 - Cantico delle creature 49:57 - Iubilate Deo 55:20 - Pacem in terris 01:03:03 - Hino a Nossa Senhora Aparecida 01:10:23 - Ó Maria, nossa esperança 01:16:57 - Jovem Luz (Hino a Carlo Acutis) 01:24:02 - Eis-me aqui 01:32:24 - Seguir-te-ei 01:36:44 - Embora noite 01:43:33 - Os céus proclamam 01:48:23 - Salmo 150 01:55:56 - Il Canto del mare 02:03:30 - We believe in love 02:09:15 - Paradiso, Paradiso 02:14:01 - Amicizia è volare 02:22:48 - Na baixa do sapateiro (Bahia) 02:30:14 - Jesus Christ you are my life



O 1º Congresso Internacional de Coros Litúrgicos realizado na matriz da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora reuniu coros, regentes e formadores em torno de uma missão comum: preservar a tradição da Igreja, formar novas gerações e fazer da música um verdadeiro instrumento de oração.


Mil vozes reunidas em Campinas, São Paulo, em torno da música litúrgica e uma das maiores referências contemporâneas da música sacra católica à frente delas: monsenhor Marco Frisina, sacerdote, compositor e fundador e diretor do Coro da Diocese de Roma.


Mais do que a dimensão musical de um grande encontro coral, essa imagem ajuda a sintetizar o que representou o 1º Congresso Internacional de Coros Litúrgicos, que aconteceu na matriz da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, Liceu Salesiano de Campinas/SP. O evento reuniu músicos, regentes, pesquisadores, religiosos e agentes de pastoral de diferentes partes do Brasil e da América Latina em torno de uma questão que permanece depois do encerramento do congresso: como formar uma nova geração de músicos capaz de servir à liturgia sem romper com a tradição musical da Igreja?


A resposta construída em Campinas passou pela experiência internacional de Marco Frisina, pela formação e pesquisa desenvolvidas por Clayton Dias e pela contribuição de Danillo Del Chiaro à música destinada concretamente à celebração e à participação da assembleia. O resultado foi um encontro no qual tradição e renovação não foram apresentadas como forças opostas, mas como partes de uma mesma responsabilidade: fazer com que a música da Igreja permaneça bela, acessível, orante e capaz de atravessar gerações.


Mons. Marco Frisina: uma música que não envelhece

A presença de monsenhor Marco Frisina colocou Campinas em contato direto com uma trajetória profundamente ligada à música da Igreja. Sacerdote da diocese de Roma, compositor, biblista e fundador do Coro da Diocese de Roma, Frisina possui uma produção de música litúrgica difundida internacionalmente e traduzida para diversos idiomas. Em Campinas, entretanto, sua presença não se limitou à execução de suas obras. O compositor colocou em discussão o próprio significado de escrever música para a liturgia.


Em entrevista realizada durante o congresso, Frisina foi questionado sobre um dos debates mais delicados da música católica contemporânea: até onde pode ir a renovação sem que a música perca seu caráter propriamente litúrgico? A resposta começou fazendo uma distinção importante. O problema, segundo ele, não está simplesmente em “ir além”, mas em sair do próprio sentido da música litúrgica.


Frisina comparou o trabalho do compositor ao equilíbrio necessário na preparação de um alimento. Assim como sal demais pode arruinar uma receita, a busca excessiva por determinados efeitos ou por uma linguagem excessivamente ligada ao pop pode comprometer aquilo que a composição deveria realizar dentro da celebração. Para o sacerdote e compositor, existe ainda outra distinção essencial: “a participação do povo no canto não significa que o compositor deve perseguir a moda do momento”.


A participação da assembleia, portanto, não exige que a Igreja simplesmente reproduza a linguagem musical que esteja em evidência em determinado período. Frisina defende critérios capazes de produzir uma música mais universal — inclusive uma música que possa continuar sendo cantada 50 anos depois. Essa talvez seja uma das reflexões mais importantes deixadas por sua passagem pelo congresso.


Frisina contou que ainda se surpreende ao encontrar jovens cantando composições suas escritas décadas atrás. Para ele, é equivocada a ideia de que as novas gerações necessariamente desejem encontrar dentro da Igreja algo semelhante ao que escutam no ambiente do entretenimento: “eles querem algo que os faça rezar. É isso que deve ser compreendido”.


Como exemplo, recordou uma missa em latim que compôs para a Jornada Mundial da Juventude. Apesar da linguagem clássica, a obra foi bem recebida pelos próprios jovens. A experiência reforça a compreensão de que renovar não significa perseguir constantemente a novidade estética, mas oferecer algo novo e belo cujo conteúdo seja suficientemente forte para atravessar o tempo. Em Campinas, essa ideia ganhou também uma dimensão concreta por meio do encontro da sua obra com coros brasileiros e da experiência de mil vozes.


Clayton Dias: formar a geração que continuará cantando

Se Frisina trouxe ao congresso uma experiência construída ao longo de décadas de composição e serviço à Igreja, Clayton Dias representa uma das bases sobre as quais esse legado pode continuar sendo transmitido no Brasil: a formação. Maestro, musicólogo e pesquisador dedicado especialmente à música sacra e ao canto gregoriano, Clayton construiu em Campinas parte fundamental da trajetória acadêmica. Depois dos estudos de regência, realizou graduação, mestrado e doutorado na Unicamp e ampliou a formação com pesquisas em países como Portugal, Itália e Suíça, aprofundando-se especialmente no canto gregoriano e nos manuscritos litúrgicos medievais. Essa formação também moldou sua compreensão de tradição.


Ao recordar as pesquisas no exterior e o contato direto com manuscritos e documentos históricos, Clayton afirmou ter compreendido que a tradição da Igreja não deve ser tratada como uma peça de museu: “a tradição da Igreja não é algo que fica no passado. É uma realidade viva, transmitida de geração em geração e celebrada com fé na liturgia”. Para ele, conhecimento acadêmico, histórico e técnico não constitui um fim em si mesmo: deve ajudar a Igreja a rezar melhor, formar seus músicos e preservar com inteligência e sensibilidade o patrimônio recebido.


Foi justamente uma necessidade de formação mais ampla que ajudou a dar origem ao congresso: “esse projeto nasceu do desejo de oferecer aos corais, regentes, músicos e também aos agentes de pastoral litúrgica um espaço de formação, intercâmbio e renovação”. Segundo Clayton, muitas comunidades possuem grupos que trabalham com dedicação, mas nem sempre encontram acesso a uma formação que reúna técnica musical, conhecimento litúrgico e espiritualidade. O congresso buscou responder a essa lacuna e, ao mesmo tempo, reforçar que a música litúrgica deve ser tratada com “seriedade, beleza e sentido eclesial”.


Sua visão, porém, ultrapassa o próprio congresso. Ao falar sobre suas pesquisas, livros, traduções, partituras, gravações, cursos e outros projetos dedicados à música da Igreja, Clayton projetou o resultado desse trabalho para um horizonte muito mais distante:

“A gente vai deixando um legado, mas um legado que não é um legado pessoal, mas um legado para a própria Igreja. Daqui a 50, 100 anos, as pessoas vão ver aquilo que fizemos e poderão ainda cantar essas músicas.”

Para ele, uma geração pode deixar para outra não apenas composições, mas instrumentos de formação: livros que continuarão sendo estudados, cursos que poderão continuar preparando músicos e partituras que permanecerão disponíveis para novos coros. É uma visão de legado que transforma formação em continuidade

 
 
 

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